27 de mar de 2010

Mães combatem "ditadura do rosa" imposta às meninas

da France Presse, em Londres

Duas mães inglesas declararam guerra ao que chamam de "rosificação" --a onipresença da cor rosa no universo das meninas--, um fenômeno relativamente recente que vai além da cor e que, segundo elas, limita as aspirações das pequenas.

Emma e Abi Moore, duas irmãs gêmeas de 38 anos, lançaram a campanha no blog PinkStinks (Rosa é uma droga) em 2008 para desafiar a cultura do rosa baseada na beleza, em detrimento da inteligência, que é imposta às meninas praticamente desde o berço.

"Queremos abrir os olhos das pessoas para o que está se passando no marketing dirigido às crianças", explica Emma Moore, que critica duramente a tendência rósea que vai da moda até os brinquedos. "Queremos que as meninas saibam que podem ser tudo que quiserem ser, independente dos que os fabricantes queiram vender para elas."

As empresas investem 100 bilhões de libras (US$ 160 bilhões) anuais apenas no Reino Unido em publicidade para conquistar o lucrativo mercado das crianças, ávidos consumidores futuros, segundo um estudo governamental publicado na semana passada.

Basta entrar em qualquer loja de brinquedos para perceber a monocromia que reina nas seções para meninas. O rosa não é apenas a cor das bonecas e fantasias de princesa, mas também das bicicletas, telefones e até mesmo brinquedos até então unissex.

"Isso nem sempre foi assim. Nos anos 70, quando crescemos, o Lego era apenas o Lego, com todas as cores", afirma Emma.

"Agora o Lego para as meninas é rosa e tudo gira em torno de cavalos alados e fadas. Isso não é natural."

Também existem versões cor de rosa do jogo de palavras Scrabble, com a palavra "fashion" (moda) formada na tampa da caixa, e do Monopoly (Banco Imobiliário), onde as casas e hotéis foram substituídos por lojas e shopping centers.

Segundo as militantes, até pelo menos a Primeira Guerra Mundial o rosa era a tonalidade dos meninos, enquanto o azul claro era considerado mais apropriado para as meninas. Para elas, a "rosificação" extrapola a cor.

Os brinquedos para as meninas reproduzem em sua maioria atividades consideradas femininas, como o cuidado de bebês, a limpeza da casa e cuidados com a beleza, o que incute nelas cada vez mais a atual "obsessão pela imagem".

"Muitos desses produtos parecem bastante inofensivos, mas se somam a essa cultura de celebridade, fama e riqueza, que está danificando as aspirações das meninas sobre o que podem ser", assinala Emma.

A campanha, que conta com milhares de seguidores no Facebook, gerou polêmica no Reino Unido, onde um jornal classificou as irmãs Moore de "feministas severas e sem senso de humor".


Fonte: Folha online. (texto original, na íntegra.)

Acesse e conheça o site desta dupla:



¨Refletindo sobre este assunto:

Esta é uma questão para analisarmos e considerarmos de fato.
Hoje, atuo em uma escola na qual as crianças (entre 3 e 4 anos) não têm uniformes, deste modo, inúmeras vezes, ao olhar para um agrupamento de meninas, tenho a impressão de que o uniforme é rosa, pois todas estão vestidas com roupas rosas. E a monocromia passa também pelas mochilas e enfeites de cabelo.  

Conheço, inclusive, crianças que só vestem rosa e não aceitam outra cor!

Isso me faz lembrar uma personagem de desenho animado e que as crianças adoram na atualidade chamada Pink Dink Doo (Discovery Kids), que embora chame Pink, odeia a cor rosa.

Acho que Pink  se sentiria deslocada neste mundo monocromático imposto às meninas na atualidade. Inclusive o clímax do desenho se dá quando Pink "pensa grande" buscando solucionar problemas através da reflexão e da inteligência. Instigante, não!

De qualquer maneira, a Pink do desenho seria um ótimo disparador para trazer as crianças para esta reflexão: Rosa é cor só para menina? Toda menina é obrigada a gostar de rosa? Panelinhas têm que ser rosa? Menino não pode usar rosa?

Sendo mãe de menino, tenho grande dificuldade de encontrar brinquedos considerados femininos em cores variadas (não somente rosa). Utensílios domésticos, por exemplo, é quase impossível.  

Na escola, os meninos adoram se reunir para brincarem de cozinhar ou de cortar cabelo e fazer a barba no salão de beleza, vivenciam isso no dia a dia: o pai e irmãos na cozinha, o churrasco no final de semana, a ida constante ao cabeleireiro. No início, ao perceber que alguém estava observando, disfarçavam, saiam e depois voltavam, escondiam o rosto. Agora já brincam sem se preocupar com a cor rosa  destes brinquedos.

Mas, realmente, parabéns às irmãs que olharam com estranhamento para esta questão. Quais valores e conceitos estão intrínsecos neste excesso de rosa?!? Este é um assunto para refletirmos profundamente!!!

Afinal, não queremos condenar o uso desta cor, mas questionar tudo e qualquer coisa que dissemine estereótipos, gerem preconceitos e não dêem opção de escolha. Pois, valorizamos acima de tudo a DIVERSIDADE, inclusive das cores!


Referência da obra de arte:  Rosa e Azul (As Meninas Cahen d'Anvers) - Ano da obra: 1881 
Pintor : Pierre Auguste Renoir (França - 1841-1919)   - Exposto atualmente no  MASP - SP

Nenhum comentário: